Lízia Sena
O novo canal elaborado para facilitar as negociações entre os investidores e as corretoras via internet, o Home Broker, se tornou motivo de maiores investimentos por parte das pessoas físicas. Os registros da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) indicam que o número destes investidores entre os meses de janeiro de 2007 e de 2008 cresceu de 224.536 para 466.830. “O aumento se deve a facilidade de negociação através do Home Broker pela internet e da queda da taxa de juros. Atualmente existem 10.000 investidores na Bahia, sendo que o aumento deste número comparando com o ano passado foram de 100%”, afirma o superintendente da Bolsa de Valores da Bahia, José Monteiro, 59.
No Brasil, as operações começaram em 1999, democratizando o mercado de capitais nacionais, dando oportunidade para que pessoas físicas contribuíssem. Através do Home Broker, o investidor tem a possibilidade de enviar ordens de compra e venda de ações de sua corretora na internet. Mas o instrumento moderno não foi a única causa do aumento de investidores na bolsa de valores. “Dentre as causas estão a estabilização financeira, o fim da inflação galopante, Banco Central independente, câmbio flutuante, aumento do poder aquisitivo e crédito mais barato” explica o investidor e músico Murilo Barquette, 43.
O investidor ainda comenta que além de todos estes fatores, existe um negativo: alta carga tributária e que devido ao fato do brasileiro ser uma grande mistura de povos, as pessoas possuem uma natureza empreendedora, mas a carga tributária proibitiva faz com que saia mais barato investir no mercado financeiro do que montar seu próprio negócio. “Os investimentos como a Caderneta de Poupança ficaram esquecidos pela atual política econômica, dando rendimentos muito abaixo do esperado”, complementa Barquette.
O baixo rendimento na poupança tem atraído cada vez mais pessoas para investir no mercado de ações. Dentre estas, a estudante de jornalismo, Lise Oliveira, 21: “Durante todo o ano de 2007 eu depositei R$ 50,00 na minha poupança e só tive um rendimento de R$54,00 no final. Tem duas semanas que comecei a investir na bolsa. Investi R$250 no Vale do rio Doce e R$250,00 na Petrobrás. Pretendo mensalmente investir este mesmo valor nas duas bolsas por um ano”.
Iniciativas do governo federal, da Bovespa, das instituições financeiras, das novas companhias e os novos padrões de governança corporativa nas empresas também permitiram o crescimento dos investidores. A transparência das empresas, sua comunicação externa tranqüilizou mais o investidor ao saber como esta a situação do local investido. As empresas que mais recebem investimento hoje no Brasil de acordo com José Monteiro são a Petrobrás e a Vale do Rio Doce.
Jovens Investidores
Com a popularização do Home Broker, baixo rendimento na poupança e facilidade de acesso ao conhecimento sobre investimentos, os jovens brasileiros também decidiram participar mais no mercado de ações consciente de suas vantagens e dos riscos. “Decidi investir porque queria apostar em um ramo de negócios novo. Ouvia muito falar na bolsa, aí resolvi pesquisar um pouco o assunto e investir”, diz o micro-empresário, Diego Reolli, 24.
Alguns jovens mantêm corretores que o ajudam no processo, mas boa parte deles busca conhecimento em revistas, sites de pesquisa e vídeos. Reolli já investiu em diversas empresas fora do Brasil. Por ser novato no ramo, ainda não possui lucros ou prejuízos, mas usa o Home Broker para seus investimentos. A estudante de jornalismo, Lise Oliveira, 21, apesar de novata já obteve resultados, ainda que prejudiciais. “Tive o azar de perder por causa da queda da bolsa de Nova York, mas meu namorado, que trabalha em banco, começou com R$1000,00 e já teve um rendimento de R$6000,00 em dois anos. Segui a orientação do meu namorado e me estimulei pelo rendimento dele”.
O Primeiro passo que um investidor precisa tomar de acordo com Barquette é solicitar o cadastro junto a uma corretora autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. Depois da abertura da conta de investimentos, inicia-se o processo de aquisição dos ativos desejados. As ações são negociadas em pregões (leilões) onde são colocados à disposição os livros de ofertas e de compras de cada papel. Uma vez preço de compra se igualando ao de venda, é fechado o negócio. O investidor sempre ganha quando compra por preço baixo e vende por preço alto. O dinheiro fica disponível na conta de investimentos junto à corretora três dias após o negócio e pode ser sacado a qualquer momento.
Riscos
Ao investir no mercado de ações é preciso saber dos riscos que poderá correr e das possíveis vantagens. As ações não oferecem rentabilidade garantida, ou seja, ao investir na bolsa de valores é necessário correr um risco de perder o dinheiro contribuído, sem garantias de retorno ou parcela do total.
Registros da BOVESPA informam que a rentabilidade dos investidores é composta de dividendos ou participação nos resultados e benefícios concedidos pela empresa emissora, além do eventual ganho de capital advindo da venda da ação no mercado secundário (Bolsa de Valores). O retorno do capital investido dependerá de uma série de fatores, dentre eles o desempenho da empresa, seu lucro, o comportamento da economia brasileira e internacional. O conselho dado é investir em médios e longos prazos, pois mesmo que a ação for desvalorizado, ela poderá ser revertida depois, garantindo então um possível lucro para o investidor.
“Quando se investe em ações em longo prazo está se investindo no lucro de uma empresa. Se essa empresa quebrar, quebrarão todos os sócios e acionistas juntos. A curto prazo, operações de alavancagem (basicamente: investir o que não se tem, esperando uma rentabilidade pré-suposta) podem fazer com que se perca uma pequena fortuna em poucos dias”, complementa Barquette.
O que é a bolsa de valores?
Gritos, telefonemas, pessoas, números e empresas. Quem já assistiu filmes que ilustram o espaço da Bolsa de Valores e não conhece seu procedimento formam conceitos prévios que nada tem haver com o dia a dia dos trabalhadores e investidores da Bolsa de Valores.
“Bolsa de Valores é uma instituição em que se negociam títulos e ações de empresas públicas e privadas. A importância desta nas economias de mercado é a canalização rápida das poupanças para a sua transformação em investimentos e constituem para os investidores, um meio prático de jogar lucrativamente com a compra e venda de títulos e ações, escolhendo os momentos adequados de baixa ou alta nas cotações”, explica o economista Djalma Santos, formado na Faculdade de ciências econômicas de Itabuna, atual Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).
A bolsa teve seu inicio na Bélgica, na casa de um senhor, onde se faziam reuniões de diversos comerciantes. A Bolsa de Paris foi fundada por Luís VII em 1141 e regulamentada em 1304. No ano de 1968 surgiu a Bolsa de Fundos Públicos de Londres. Antes do século XIX não existia instituições organizadas, somente pessoas trabalhando como banqueiros e corretores. Mas a partir de então as Bolsas de Valores vem sofrendo constantes transformações, se especializando em diferentes tipos de créditos. Apenas em dezembro de 1894, foi aprovada em São Paulo uma tabela de contagem para a embrionária Bolsa Livre de Valores, por ato do Governo Federal e no ano de 1964, as bolsas possuíram as características que possuem atualmente. (Fonte: http://www.bovesba.com.br/bovesba.asp).
A maior bolsa de valores da América Latina é a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Mas a Bahia também possui uma Bolsa de Valores (BOVESBA) localizada no bairro do Comércio. A Bolsa de Valores Bahia Sergipe Alagoas – BOVESBA, firmou uma parceria em 28 de janeiro de 2000 entre as Bolsas Brasileiras existentes, pelo qual a Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa passou a ser a única bolsa brasileira a negociar ações. Neste convênio, as outras bolsas de valores atuam como bolsas de fomento, desenvolvendo atividades que visam a promover e popularizar o mercado de capitais. (Fonte: http://www.bovesba.com.br/bovesba.asp).
Os corretores de ações e vendas são os trabalhadores que ficam boa parte de seu tempo concentrados na Bolsa de Valores para anunciar a seus clientes quais empresas estão desenvolvendo uma boa função e obtendo lucro para que seus clientes invistam, ou quais empresas estão com baixo rendimento para que seus clientes não invistam. Além de noticiarem as quedas e altos de cada empresa. Os gritos não entendidos por muitos, são apenas corretores de ações e vendas conversando com seus clientes.