Cresce o número de pessoas físicas investindo na Bolsa de Valores

May 21, 2008 by liusena

Lízia Sena

 O novo canal elaborado para facilitar as negociações entre os investidores e as corretoras via internet, o Home Broker, se tornou motivo de maiores investimentos por parte das pessoas físicas. Os registros da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) indicam que o número destes investidores entre os meses de janeiro de 2007 e de 2008 cresceu de 224.536 para 466.830. “O aumento se deve a facilidade de negociação através do Home Broker pela internet e da queda da taxa de juros. Atualmente existem 10.000 investidores na Bahia, sendo que o aumento deste número comparando com o ano passado foram de 100%”, afirma o superintendente da Bolsa de Valores da Bahia, José Monteiro, 59.

No Brasil, as operações começaram em 1999, democratizando o mercado de capitais nacionais, dando oportunidade para que pessoas físicas contribuíssem. Através do Home Broker, o investidor tem a possibilidade de enviar ordens de compra e venda de ações de sua corretora na internet. Mas o instrumento moderno não foi a única causa do aumento de investidores na bolsa de valores. “Dentre as causas estão a estabilização financeira, o fim da inflação galopante, Banco Central independente, câmbio flutuante, aumento do poder aquisitivo e crédito mais barato” explica o investidor e músico Murilo Barquette, 43.

O investidor ainda comenta que além de todos estes fatores, existe um negativo: alta carga tributária e que devido ao fato do brasileiro ser uma grande mistura de povos, as pessoas possuem uma natureza empreendedora, mas a carga tributária proibitiva faz com que saia mais barato investir no mercado financeiro do que montar seu próprio negócio. “Os investimentos como a Caderneta de Poupança ficaram esquecidos pela atual política econômica, dando rendimentos muito abaixo do esperado”, complementa Barquette.

O baixo rendimento na poupança tem atraído cada vez mais pessoas para investir no mercado de ações. Dentre estas, a estudante de jornalismo, Lise Oliveira, 21: “Durante todo o ano de 2007 eu depositei R$ 50,00 na minha poupança e só tive um rendimento de R$54,00 no final. Tem duas semanas que comecei a investir na bolsa. Investi R$250 no Vale do rio Doce e R$250,00 na Petrobrás. Pretendo mensalmente investir este mesmo valor nas duas bolsas por um ano”.

Iniciativas do governo federal, da Bovespa, das instituições financeiras, das novas companhias e os novos padrões de governança corporativa nas empresas também permitiram o crescimento dos investidores. A transparência das empresas, sua comunicação externa tranqüilizou mais o investidor ao saber como esta a situação do local investido. As empresas que mais recebem investimento hoje no Brasil de acordo com José Monteiro são a Petrobrás e a Vale do Rio Doce.

 

Jovens Investidores

Com a popularização do Home Broker, baixo rendimento na poupança e facilidade de acesso ao conhecimento sobre investimentos, os jovens brasileiros também decidiram participar mais no mercado de ações consciente de suas vantagens e dos riscos. “Decidi investir porque queria apostar em um ramo de negócios novo. Ouvia muito falar na bolsa, aí resolvi pesquisar um pouco o assunto e investir”, diz o micro-empresário, Diego Reolli, 24.

 Alguns jovens mantêm corretores que o ajudam no processo, mas boa parte deles busca conhecimento em revistas, sites de pesquisa e vídeos. Reolli já investiu em diversas empresas fora do Brasil. Por ser novato no ramo, ainda não possui lucros ou prejuízos, mas usa o Home Broker para seus investimentos. A estudante de jornalismo, Lise Oliveira, 21, apesar de novata já obteve resultados, ainda que prejudiciais. “Tive o azar de perder por causa da queda da bolsa de Nova York, mas meu namorado, que trabalha em banco, começou com R$1000,00 e já teve um rendimento de R$6000,00 em dois anos. Segui a orientação do meu namorado e me estimulei pelo rendimento dele”.

O Primeiro passo que um investidor precisa tomar de acordo com Barquette é solicitar o cadastro junto a uma corretora autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. Depois da abertura da conta de investimentos, inicia-se o processo de aquisição dos ativos desejados. As ações são negociadas em pregões (leilões) onde são colocados à disposição os livros de ofertas e de compras de cada papel. Uma vez preço de compra se igualando ao de venda, é fechado o negócio. O investidor sempre ganha quando compra por preço baixo e vende por preço alto. O dinheiro fica disponível na conta de investimentos junto à corretora três dias após o negócio e pode ser sacado a qualquer momento.

Riscos

Ao investir no mercado de ações é preciso saber dos riscos que poderá correr e das possíveis vantagens. As ações não oferecem rentabilidade garantida, ou seja, ao investir na bolsa de valores é necessário correr um risco de perder o dinheiro contribuído, sem garantias de retorno ou parcela do total.

Registros da BOVESPA informam que a rentabilidade dos investidores é composta de dividendos ou participação nos resultados e benefícios concedidos pela empresa emissora, além do eventual ganho de capital advindo da venda da ação no mercado secundário (Bolsa de Valores). O retorno do capital investido dependerá de uma série de fatores, dentre eles o desempenho da empresa, seu lucro, o comportamento da economia brasileira e internacional. O conselho dado é investir em médios e longos prazos, pois mesmo que a ação for desvalorizado, ela poderá ser revertida depois, garantindo então um possível lucro para o investidor.

“Quando se investe em ações em longo prazo está se investindo no lucro de uma empresa. Se essa empresa quebrar, quebrarão todos os sócios e acionistas juntos. A curto prazo, operações de alavancagem (basicamente: investir o que não se tem, esperando uma rentabilidade pré-suposta) podem fazer com que se perca uma pequena fortuna em poucos dias”, complementa Barquette.

 

O que é a bolsa de valores?

Gritos, telefonemas, pessoas, números e empresas. Quem já assistiu filmes que ilustram o espaço da Bolsa de Valores e não conhece seu procedimento formam conceitos prévios que nada tem haver com o dia a dia dos trabalhadores e investidores da Bolsa de Valores.

“Bolsa de Valores é uma instituição em que se negociam títulos e ações de empresas públicas e privadas. A importância desta nas economias de mercado é a canalização rápida das poupanças para a sua transformação em investimentos e constituem para os investidores, um meio prático de jogar lucrativamente com a compra e venda de títulos e ações, escolhendo os momentos adequados de baixa ou alta nas cotações”, explica o economista Djalma Santos, formado na Faculdade de ciências econômicas de Itabuna, atual Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

A bolsa teve seu inicio na Bélgica, na casa de um senhor, onde se faziam reuniões de diversos comerciantes. A Bolsa de Paris foi fundada por Luís VII em 1141 e regulamentada em 1304. No ano de 1968 surgiu a Bolsa de Fundos Públicos de Londres. Antes do século XIX não existia instituições organizadas, somente pessoas trabalhando como banqueiros e corretores. Mas a partir de então as Bolsas de Valores vem sofrendo constantes transformações, se especializando em diferentes tipos de créditos. Apenas em dezembro de 1894, foi aprovada em São Paulo uma tabela de contagem para a embrionária Bolsa Livre de Valores, por ato do Governo Federal e no ano de 1964, as bolsas possuíram as características que possuem atualmente. (Fonte: http://www.bovesba.com.br/bovesba.asp).

A maior bolsa de valores da América Latina é a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Mas a Bahia também possui uma Bolsa de Valores (BOVESBA) localizada no bairro do Comércio. A Bolsa de Valores Bahia Sergipe Alagoas – BOVESBA, firmou uma parceria em 28 de janeiro de 2000 entre as Bolsas Brasileiras existentes, pelo qual a Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa passou a ser a única bolsa brasileira a negociar ações. Neste convênio, as outras bolsas de valores atuam como bolsas de fomento, desenvolvendo atividades que visam a promover e popularizar o mercado de capitais. (Fonte: http://www.bovesba.com.br/bovesba.asp).

Os corretores de ações e vendas são os trabalhadores que ficam boa parte de seu tempo concentrados na Bolsa de Valores para anunciar a seus clientes quais empresas estão desenvolvendo uma boa função e obtendo lucro para que seus clientes invistam, ou quais empresas estão com baixo rendimento para que seus clientes não invistam. Além de noticiarem as quedas e altos de cada empresa. Os gritos não entendidos por muitos, são apenas corretores de ações e vendas conversando com seus clientes.

“Da África para o Brasil”

May 21, 2008 by liusena

Lizia Sena

Aplicar o ensino da África nas escolas no entorno da Estrada Velha do Aeroporto é contextualizar a história marcada no cotidiano dos moradores da região.  “É uma temática que tem tudo para dar certo no momento em que eles se sentem contemplados com a história deles”, diz a coordenadora da manhã da Escola Municipal de Canabrava, Fátima Barreto, 40 anos.

Por muito tempo a história do Brasil ensinada nas escolas foi marcada por uma visão Européia. Apesar da história admitir que a população seja formada por diversas etnias, o foco central foi sempre dado aos europeus, excluindo a participação dos afro-descendentes e indígenas. Devido à importância e necessidade deste aprendizado, as organizações do movimento negro reivindicaram o ensino da cultura afro-descendente nas escolas. Esta luta deu origem a lei nº 10.639 que incluiu no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, sendo alterada em 2008 pela lei nº 11.645 com inserção da História Indígena. (Fonte: www.planalto.gov.br)

Romper o padrão, desmitificar mitos e acabar com os estereótipos são resistências encontradas em muitas escolas. A falta de materiais didáticos e capacitação dos professores nas comunidades do entrono da EVA também têm sido problemas que atrapalham a realização do objetivo. “Não houve capacitação. O que tem é curso de pós-graduação, que você paga mais em conta. Ainda não existe um livro didático. Temos livros infanto-juvenis como “Luana”, mas são poucos. Existe algo chamado de invisibilidade do herói negro. A história é deturpada, colocam características erradas como da Tia Nastácia no Sitio do Pica-Pau Amarelo”, explica o professor da Escola Municipal de Canabrava, Adilton Costa, 56 anos, referindo-se ao fato de Nastácia ser negra e como sempre, empregada doméstica.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os responsáveis pelas secretarias estaduais de educação têm trabalhado em prol do fortalecimento da temática, para a produção e distribuição de material didático-pedagógico e formação de profissionais da educação, produzindo em 2004, novos livros, cujo conteúdo diz respeito à Lei nº 10.639. Para a capacitação, A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) também realiza cursos de formação continuada de professores através de cursos presenciais e a distância. (Fonte: www.portal.mec.gov.br)

Através da assessora Neire Matos, a Secretária de Educação da Bahia (SEC) informa que
não há distribuição de livros, o que existe é material didático para o professor. O órgão também informa que os educadores receberam orientação na época da aplicação da lei através do próprio Ministério da Educação.
Em todas as escolas, o tema faz parte da disciplina e a fiscalização é feita através da grade do professor para cada turma. 

Apesar dos empecilhos, o empenho dos professores e o interesse dos estudantes têm vencido os obstáculos e ampliado o aprendizado. “Eles têm se envolvido bastante, até porque é a realidade deles, 90% das crianças são afro- descendentes. Eles estão gostando saber sobre a cultura, costumes, se empolgam. Vontade eles têm”, diz a professora da Escola Municipal Comunitária de Canabrava, Sueli Viana, 41 anos.

A iniciativa da professora da Escola Municipal Padre Hugo Meregali, localizada em Jaguaripe II, Valtirene Santos, 25, contribuiu para um projeto nomeado “Da África para o Brasil”. Para seu plano de estágio do curso de administração, Valtirene criou o projeto que antes era chamado “As sementes históricas e culturais afro-brasileiras e africanas no ensino fundamental do sistema municipal de salvador” para ensinar a história da África.

Ao aplicar o plano na escola, em 2006, e mostrar aos outros professores, as pessoas aos poucos foram se interessando e se integrando em 2007. “Dividimos em temáticas como fauna, plantas, religião, quilombos, áfrica contemporânea, revolta dos búzios, malês, influencias das línguas africanas no português, mitos afro-brasileiros, dentre outros. Eles aprenderam muito”, afirma Valtirene. O programa é trabalhado através da arte, leituras, pesquisa, músicas, filmes, cálculos de matemática e também oralidade, resgatando a cultura afro-brasileira e sempre contextualizando os temas.

Satisfeita com o novo aprendizado, a estudante do 5º ano da Escola Municipal de Canabrava. J. F, 11 anos, afirma estar gostando muito. “Eu aprendi muitas coisas, sobre a cultura, as raças, que não devemos discriminar e tudo mais”, diz J.F.

Lei nº 9.394- Estabelece as diretrizes e base educacional.

Lei nº 10.639- Inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.

Lei 11.645-Acrescenta a História Indígena na temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.

 

 

 

Com a mão na graxa

May 20, 2008 by liusena

Lízia Sena

6h. Os mecânicos da Estrada Velha do Aeroporto já estão saindo de casa para mais um dia de trabalho com seus filhos aprendizes em meio a concorrência das diversas oficinas concentradas nos bairros Vila Mar e Jardim Real. Alguns veículos já estão a espera guardados nas oficinas, outros chegam aos poucos. Quem passa em frente aos estabelecimentos já reconhece as oficinas pelo barulho universal dos maçaricos, furadeiras e martelos.

Dentre os serviços oferecidos estão à chaparia, pintura e mecânica. Mas algumas oficinas se diferenciam pelos tipos de carros trabalhados. “Temos especialidade em carros importados. Não é que trabalhamos melhor que os outros, mas nos preocupamos em detalhes na qualidade e muitos não se dedicam a isso, querem apenas ganhar o dinheiro do cliente”, diz o proprietário da oficina Bujaca,localizada no bairro Vila Mar, Luis Augusto, 40 anos, também conhecido como bujão.

Luis Augusto, como a maior parte dos mecânicos, aprendeu a profissão durante sua juventude e atualmente ensina aos jovens funcionários em sua oficina localizada no bairro Vila Mar. “Quando eu tinha 10 anos, aprendi com meu cunhado. Dediquei-me. Naquela época o adolescente chegava à idade de 12, 13 anos e os pais os ocupavam na oficina pra não ficar na rua, usando droga que hoje você vê fazer. Hoje não vê menino trabalhando na profissão. O pai se preocupa no salário do menino e não em ele aprender a profissão”, afirma. Ele também explica que os jovens começam varrendo, lavando pneus, trabalhos simples e aos poucos vão aprendendo a se tornar profissionais de qualidade.

O proprietário da auto-elétrica no Jardim Real, Agnaldo Bahia, 47 anos, também explica que aprendeu a profissão desde pequeno com seu pai: “Aprendi por curiosidade de menino. Nossos pais colocavam para nos ocupar e eu achava interessante aprender sobre carros. Carro era a vida naquele tempo. Sofri um bocado para aprender”. Agnaldo trabalha há 35 anos na profissão. Já foi empregado de concessionária de caminhão, empresa de ônibus e fez vários cursos no Brasil. Apesar de já ter trabalhado de carteira assinada, hoje tem sua própria oficina e afirma estar contente com tal liberdade, mesmo contribuindo para o INSS. Atualmente Agnaldo trabalha com ajuda de seus dois filhos aprendizes: “Trabalho com meu filho que estuda, me dá uma ajuda e joga uma bola. O outro viajou, fez engenharia eletrônica. Fez técnica de segurança no trabalho pra se manter na profissão. Ele ganhou uma bolsa, foi esforço dele, mas eu dou sempre uma ajuda”, afirma.

O rendimento é essencial, suficiente. “Dá pra pagar luz, água, botar gasolina no bobozinho velho que eu tenho, comida pro cachorro e tomar uma cervejinha. Não dá pra cumade brigar no fim do mês”, explica Agnaldo. Já a oficina de Luis Augusto apesar de ter retorno suficiente, também tem algumas dificuldades: “Tem meses que eu pago pra trabalhar, mas satisfeito também. Todo lugar tem dificuldade na área de automóvel, toda semana levo meu dinheirinho”.  Uma das soluções de acordo com um dos trabalhadores e proprietários da auto-elétrica e borracharia de Vila Mar, Carlos Antônio, 49 anos, seria melhorar a estrutura do EVA. “O preço do aluguel é muito caro, mas o retorno é suficiente para viver. Se o entorno da estrada velha tivesse bem estruturado seria melhor”, afirma Carlos.

Emprego

Os moradores das comunidades no entorno do EVA são beneficiados ao serem preferidos para trabalhar nas oficinas, apesar da área ser um ambiente geralmente familiar, no qual trabalham pessoas da própria família ou amigos mais próximos. O salário varia a depender da capacitação de cada funcionário. O pintor, Rafael Oliveira ganha R$ 700, mas alguns recebem um salário mínimo apenas.

Os clientes da comunidade são poucos, de acordo com Luis Augusto, sendo a maioria de outras localidades. Mas o proprietário da Agência Santana (concerto de bicicletas), Silvano Souza, 23 anos, afirma que o movimento é bom, principalmente em épocas festivas.

 

Oferendas e lixos jogados no Dique do Tororó geram polêmica

December 18, 2007 by liusena

 Repórteres: Liomar Xavier, Jamile Freitas e Lízia Sena

Liomar Xavier

O lago do Dique é de largura variável, em alguns lugares têm profundidade superior a sete metros, sua extensão é de cerca de 3 km. Por ser um local de águas doces, o Dique se tornou um dos pontos da cidade de Salvador onde são feitas oferendas por parte de praticantes de cultos afros. Tais práticas têm levado insatisfação a alguns freqüentadores do local, já que polui o meio ambiente.

 “As oferendas podem ser colocadas em outros locais também, como o Parque de São Bartolomeu, por exemplo, mas em relação ao Dique é um local feito para oferendas, por ser de águas doces, pertence a Oxum Maré, deusa da água doce”. Estas são palavras de José de Ribamar Feitosa Damião, 63, ogá de Oxalá, que exercer a função de vice-presidente da Sociedade Cruz Santa, do terreiro Ilê Axé Opo Afonjá, administrado por Mãe Estela, localizado no bairro de São Gonçalo do Retiro, região do Cabula. Ribamar diz: “O candomblé tem relação com todos os elementos da natureza, água, fogo, terra, ar e fogo”. As oferendas não causam poluição ambiental. Para Ribamar, elas descem para o fundo do Dique. O uso de animais nas oferendas é uma prática que remonta aos tempos bíblicos.

 “Naquela época já tinha matança de animais quando você ler o Evangelho, no velho testamento, existe uma parte que cita Moisés. Para não levarem seu filho, oferece um carneiro como sacrifício. A gente tem que continuar cultuando nossas divindades”, desabafa Ribamar. Algumas pessoas acham normais as oferendas no Dique. Mas há quem não concorde, pois termina trazendo poluição ambiental para o local. Francisca Aragão Santana, economista, 73 anos, moradora do Cabula, diz: “Se é uma oferenda que o tempo se encarrega de decompor não tem problema. Nós temos que respeitar a religião de cada um”. Alguns freqüentadores são totalmente contra as oferendas, pois acham que as mesmas terminam prejudicando o meio ambiente. Eliene Albuquerque Santana, 20, afirma que “os peixinhos pequenos vão morrendo, só os peixes grandes ficam aí, as oferendas que são jogadas acabam matando eles”.

Para Zoraide Silva, administradora do Dique e funcionária da CONDER, em relação ao culto afro as oferendas continuam, mas em tamanho menor. “As pessoas colocavam carneiros, animais grandes, mas depois da inauguração do novo parque do Dique, isso foi proibido”. Para Zoraide essa tradição e bem antiga e não tem como acabar com isso. “A gente tentar conversar com as pessoas que isso não pode mais, aqui é um parque que tem essa cultura”, afirma. O esgoto não cai mais no Dique, foi desviado para estação de Tratamento da Bolandeira, a água que cai no Dique é pluvial. Para manter á água do Dique conservada e com qualidade, Zoraide Silva diz que a embasa vai ao dique todo mês fazer coleta para analisar a qualidade da água. Juntamente com o CRA, dois funcionários do parque fazem a limpeza das águas durante todo o dia, eles ficam em um barco, com uma cesta retirando toda sujeira.

 Oferendas provocam poluição no Dique 

Jamile Freitas
 O Dique do Tororó é considerado um dos mananciais naturais mais importantes da cidade. Além de entreter turistas e população local, o Dique é também um referencial para a cultura afro-baiana, alvo de oferendas deixadas em suas águas para reverenciar os deuses do candomblé. Para os adeptos da religião, o local é uma das moradas de Oxum, orixá da água doce, lagos e fontes.
No mês de dezembro diversas mães de santo costumam depositar no local cestos de flores e presentes em homenagem ao orixá. Contudo, essa atividade religiosa tem trazido muitos impactos, a partir do momento em que deixam nas proximidades da lagoa, animais mortos durante o ritual de sacrifício e alimentos perecíveis.

Para as pessoas que praticam a caminhada, a conseqüência das oferendas varia dependendo de que objeto é utilizado. “Depende de qual seja a oferenda. Se for uma oferenda que fira o meio ambiente em termos de poluição, trazendo odor ou que se transforme em lixo e conseqüentemente danifique alguma coisa na saúde ambiental, aí é ruim. Mas se é uma oferenda que o tempo se encarrega de decompor, não tem problema. Nós temos que respeitar a religião de cada um e temos que educar todos pra que esses preservem o planeta que já se encontra bastante destruído”, disse Francisca Aragão.

 Animais mortos como aves são deixados nas proximidades da lagoa e trazem incômodos como o mau cheiro, como conta o comerciante, Dominique Adrian, que mora na região há seis anos: “Eu acho a lagoa uma porcaria. Tem gente que pesca com essas oferendas juntas. Quando elas apodrecem o mau cheiro é insuportável. Se a lagoa já é poluída, com isso essas oferendas deixadas ai, a poluição aumenta mais ainda”. Segundo Soraide Silva, após a inauguração do parque, as oferendas continuam, mas em tamanho em menor. “Antes, quando essa área não era gerenciada pela CONDER, as pessoas colocavam carneiro, animais grandes, mas depois da inauguração isso foi proibido”, considera. E como se não bastasse, ainda tem pessoas que tomam banho sem preocupação com os danos que isso pode trazer. “Já presenciei pessoas tomando banho. Só podem ser malucos! Por que não conhecem a realidade da lagoa. Isso aí é cheio de bactéria”, finaliza o comerciante.

Lixo, esgoto e acidentes

Lízia Sena
Apesar da reinauguração do Dique ter trazido vários benefícios ao lazer da população e limpeza da lagoa, o local continua sendo poluído por pessoas que passam ao caminhar. Seja jogando latas e garrafas plásticas na lagoa ou no chão. “As pessoas geralmente não são tão educadas apesar de estarem próximas aos coletores de lixo. É possível enxergar pessoas jogando latas e cocos. Então a limpeza e a educação ambiental são coisas que as pessoas ainda não incorporaram”, afirma a economista Francisca Aragão, 63.
Quando o Dique foi inaugurado em 02 de abril de 1998, a realidade era outra.

O esgoto caia diretamente na lagoa, não havia limpeza, nem fiscalização e de acordo com os moradores do local a destinação de lixos hospitalares também eram destinadas para as águas do Dique. “Já vi pessoas jogando lata, papel, canudos na lagoa. Com a reforma, a poluição diminuiu bastante. Antigamente os materiais hospitalares eram jogados aqui, mas agora isso não existe mais. Ainda comem camarão branco que vem daí”, diz o vendedor de côco, Dominique Adrian, que trabalha no local nove meses e mora na região à seis anos. Com a reconstituição da lagoa, houve uma redução da poluição e boa parte do lixo é recolhido diariamente. “O dique atualmente está preservado, não porque eu trabalho aqui, mas sim porque eu cheguei a ver o dique nove anos atrás. Parte dos freqüentadores não tem cuidado de colaboração em relação à limpeza. Apesar de ter lixeiras espalhadas em todo o parque, as pessoas jogam papel na água, no chão e nas plantas. O estado deveria fazer um trabalho de educação com estas pessoas”, diz Zoraide Silva. 

A insatisfação da comunidade é contra os próprios moradores sem consciência, que mesmo ao receberem apoio dos governantes, continuam poluindo o local e não se mobilizam para melhorar o ambiente. “Fizemos um projeto junto a CONDER para fazermos um multirão com o material doado pelo governo pra pintar tudo, parecer o mediterrâneo, mas não houve interesse do pessoal. Dão apoio, mas nós relaxemos. Faziamos multirão de limpeza, mas parou”, explica o proprietário dos pedalinhos e ex – presidente da associação que tinha como principal objetivo despertar consciência e cidadania na comunidade.

O esgoto antes desaguado na lagoa, agora é tratado na estação da Bolandeira. “Esgoto não cai mais no dique, foi desviado para a estação de tratamento da Bolandeira. A água que cai é pluvial. Se cai algum esgoto é porque vem com as chuvas”. Contudo, alguns moradores ainda afirmam que mesmo raramente, o esgoto ainda é destinado ao local. “Com o aumento de moradores e residências, a fossa não conseguiu mais comportar e começou a cair no dique. Tinha piaba, camarão, traíra, muito peixe. O esgoto acabou com o dique. Agora tá melhor.Mas quando entope cai aqui dentro, é raro mais cai”, diz Dominique Adrian. Além da poluição, é possível observar diversos acidentes que acontecem no local, como automóveis que caem na lagoa e afogamentos. “Outro dia um gol caiu aqui no dique, tava andando e vi na água. Muita gente morta também. Nadam e quando chegam no meio afundam. Tem tanta historia este dique”, conta a moradora Eliene Gotado, 20. Apesar de ser um ponto turístico e fonte de lazer para muitos indivíduos da cidade, o dique continua com alguns problemas, ainda que muitos já foram reduzidos.

Rio das Tripas encontra-se abandonado e incomoda a população com mau cheiro

December 18, 2007 by liusena

Repórteres: Jamile Freitas, Lízia Sena e Liomar Xavier

 

Jamile Freitas  
Um dos principais afluentes do Rio Camurugipe nasce nas encostas de São Bento, da Barroquinha, fazendo surgir mais um afluente que corre ao longo do vale dividindo as elevações do antigo centro de Salvador, das colinas das Palmas, de Santana, do Desterro e da Saúde. Segue dali, entubado, até o Largo das Sete Portas e reaparece já revestido próximo à feira local. Na Rótula do Abacaxi, é possível vê-lo escuro e fétido. Esse é percurso que segue um rio fundamental da história e ordenamento da cidade: o Rio das Tripas, anteriormente conhecido como Rio Camurujipe.

Antes da instalação da Estação Embasa na Boca do Rio, a água do rio era cristalina, os moradores pescavam peixes e utilizava para fins domésticos. “Quando cheguei aqui, cheguei a pescar até camarão, mas a poluição destruiu tudo. Outro dia presenciei um sofá-cama, pneus boiando na água”, conta o morador  Luis Ferreira Santos, 62 anos.Na Barroquinha, o rio alterna trechos de alta poluição, com outros que ainda oferecem condições de vida para a fauna e flora.

Na área que vai da Barroquinha ao Costa Azul, margeando a Avenida Octávio Mangabeira, o esgoto não oferece condições de balneabilidade e piscosidade, muito menos de potabilidade. Tomar banho ou beber de suas águas é altamente arriscado para a saúde. Como afirma o membro da presidência da Embasa, José Barros, 60 anos.O descaso é grande. Se você tirar uma foto aí é lama, não pode nem trazer as crianças para brincar. Sempre tem os carros de tratamento aí na rua. Os carros vão à Barra. Estavam fazendo juntamente com a Conder, mas aí mesmo ta um descaso total. Uma lama danada, prefeitura também não ajuda”. Além de não poder utilizar a água para fins domésticos, os moradores ainda sofrem com o mau cheiro. “Quando chove o rio exala um mau cheiro mais forte”, comenta o morador do Costa Azul, Carlitos Miranda, 37 anos.

 A atuação da prefeitura tem sido criticada pelos moradores, que se mostram cansados de promessas e vêem a poluição tomar o espaço, sem a intervenção das autoridades. “A população coloca essas pessoas no poder e eles deveriam ter mais responsabilidade, até mesmo para que eles possam ser reeleitos”, disse a professora Teresa Pinheiro, 56 anos.

Moradores do Costa Azul reivindicam tratamento de esgoto 

Lízia Sena 
A comunidade ao redor do trecho final do rio das tripas que deságua no Costa Azul sofre com as conseqüências da falta de atuação da Prefeitura e da irresponsabilidade de alguns moradores que contribuem para a poluição do rio. “Um mau cheiro, mosquito, muito desagradável. A prefeitura sempre diz que está com os cofres vazios, luta tanto para entrar e acaba não fazendo nada. Deveria haver conscientização, uma educação ambiental e principalmente um trabalho de conscientização”, afirma a professora e moradora da região, Teresa Pinheiro, 56.

O descontentamento não parte apenas dos moradores da região, mas também de um dos órgãos responsáveis, a EMBASA. Os membros do órgão afirmam faltar união dos governantes e da população em geral para que possa ter uma atuação mais eficaz. “O descaso é grande. O projeto do Bahia Azul não está fazendo nada por aqui. Falta união em geral dos governantes, que só olham para o bolso. Temos que falar o que vemos. Bicho, doenças, mosquito, não tem um tratamento adequado. A população também precisa se unir. Tentamos ajudar, mas não tem apoio em geral”, diz um dos membros da presidência da EMBASA, José Barros, 60.

O mau cheiro incomoda tanto quem passa de transporte quanto quem passeia ou descansa no parque Costa Azul. Nas casas, mesmo as mais afastadas, o odor do esgoto também alcança. “Esse esgoto é um problema. Já tentaram resolver. Hoje mesmo está fedendo muito. Esses carros limpa fossa descarrega em frente ao DETRAN e termina vindo para aqui. O poder público tem parcela de culpa pela população, tem que trabalhar em conjunto”, diz o morador Carlitos Miranda, 37.

Quando chove, o cheiro do rio intensifica e ao secar, é possível observar os objetos que são lançados no esgoto, como pneus, colchões, latas, garrafas, sacos plásticos e cocos.  “Isso deveria ser bem tratado. A atuação da Prefeitura é péssima. Faço Cooper aqui sempre e nunca vi nenhum trabalho de tratamento. Temos que fazer nossa parte, mas a prefeitura também”, diz o morador do bairro, Val dos Santos, 51. 

Praia suja

Liomar Xavier  
A praia do Costa Azul em Salvador, não é uma das belas praias para se freqüentar fazendo um contraste com seu nome. Onde as águas da praia são de tonalidade escura, pois no local deságua o Rio das Tripas, que se tornou um grande deposito de lixo de boa parte da cidade. Enseada com águas muito agitadas, portanto não recomendada para banho e um belo coqueiral. Nesse trecho da orla marítima fica o Parque Costa Azul, com brinquedos, pistas de Cooper, quadras esportivas, restaurantes e anfiteatro. É uma praia poluída.

A praia do costa Azul é freqüentada principalmente por casais que procuram se esconder nas pedras que existe no local, e pessoas como Neide palmeira, 42, comerciante-banhista, moradora do bairro do  Engenho de Brotas que diz, “Está praia foi a mais próxima. Eu me preocupo com o esgoto. Não acho ela limpa, mas venho. E nunca mim aconteceu nada”. A dona de casa, Teresa Pinheiro, 56, professora, fala “Terrível. O Bahia azul veio com um propósito de melhora e não resolveu nada. Ta aí para todo mundo ver”.

A Secretaria Municipal de Transporte e Infra-Estrutura ( SETIM), diz que a prefeitura faz a limpeza do Rio das Tripas, e que o próximo trecho do rio  que vai sofre intervenção é entre a loja Tem de Tudo, e o Shopping Salvador, “ a prefeitura vai começar um trabalho de dragagem e limpeza do trecho”, afirmar a Técnica da Setim, Lídice da Silva. Em relação á despoluição do Rio das Tripas e da praia do Costa Azul, o projeto do emissário submarino de Salvador não atingiu sua capacidade máxima, pois faz parte de um projeto maior que é o Bahia azul. O engenheiro, Paulo Miranda, um dos integrantes do projeto diz: “A entrada em operação da espinha dorsal do sistema de Salvador – principais bacias e interceptores – já resulta na recuperação de áreas degradas e das condições de balneabilidade de praias como Barra, Ondina, Amaralina, Itapuã, Stella Maris, Bogari e Boa Viagem, além da melhoria dos indicadores de saúde pública. O trecho do Costa Azul ainda vai sofre intervenção maior”. “Falta, ainda verbas para da continuidade ao grandioso projeto, desabafa”, Miranda.

Rio Calafate traz prejuízos à comunidade

December 18, 2007 by liusena

Repórteres: Lízia Sena, Jamile Freitas e Liomar Xavier

Lízia Sena
O esgoto que passa pelo bairro San Martin, em Salvador, é mais um trecho do rio Camarujipe, nomeado rio Calafate, que inicia em São Cristovão e deságua no Costa Azul, sem receber tratamento algum pelo projeto Bahia Azul. “Fazer um tratamento no rio é difícil. O que estamos fazendo agora são ligações intra-domiciliares e encontramos algumas resistências por parte de certos moradores”, afirma a gerente de manutenção de esgoto da Embasa Roberta de Oliveira Henrique.

O mau cheiro, as doenças e as enchentes são problemas freqüentes enfrentados pelos moradores que residem na frente do esgoto a céu aberto a ponto de caírem ao andar ou correr descuidadamente. “É horrível. Coisa triste. Incomoda demais. Ratos enormes, o rio transborda, enche a casa e temos que gastar detergente para limpar tudo novamente. Os governantes fazem promessas e nada. Solução é tapar”, diz a moradora Nalva dos Santos, 35.

Há quem diga que a culpa é dos governantes, mas todos reconhecem que os moradores também contribuem jogando lixo. “A poluição se deve primeiro pelo descaso da prefeitura e em segundo pelos moradores que também contribuem. Tem muitos que jogam lixo aí dentro devido o esgoto ser a céu aberto”, explica o morador Jair Resende, 40. Também descontente com a atuação teórica do Bahia Azul, Jair complementa: A única vez que o Bahia Azul esteve aqui foi pra fazer canais de esgotos em algumas casas aqui. Eles cobram R$ 16 e quando ligamos pra conversar a respeito, é o maior sacrifício. Primeiro eles deveriam fazer a obra no bairro todo pra depois cobrar. Tem gente que paga e até hoje não receberam ninguém pra fazer nada em suas casas”.

 Várias pessoas do bairro solucionam os problemas de enchente como podem. As maiorias dos indivíduos constroem barreiras na frente das casas, mas ainda assim não resolve por completo, pois o esgoto entra pela janela levando boa parte dos móveis e deixando mau cheiro nos lares. “Esse rio sempre foi esgoto. Quando ocorre chuva, a água sempre invade as casas. Quando invadiu a minha, eu perdi muitas coisas”, diz uma das moradoras mais antigas da avenida, Florinda Oliveira, 82 anos. Membros do bairro nunca presenciaram melhoras acerca das condições do rio que contínua poluído e sem muitas proteções ao redor. “Moro aqui há 30 anos. Não presenciei nenhuma evolução nesse rio. A casa enche. A Bahia azul veio, mas está tudo à toa ai. Toda essa poluição traz doenças”, afirma o morador Jorge Almeida, 44 anos. 

Rio causa mortes na comunidade San Martin   

Jamile Freitas 
A poluição nos rios além de trazer conseqüências para o meio ambiente prejudica também a saúde da população. A comunidade que mora nas proximidades do rio Calafate, no bairro San Martin, sofre com várias doenças advindas do rio que, além de trazer várias doenças infecto-contagiosa, já levou a morte, como conta Jair Resende, morador local: “Hoje esse esgoto se encontra a céu aberto prejudicando muitas pessoas, como aconteceu com um amigo meu que pegou meningite e foi mutilado, perdendo as pernas e boa parte das mãos”.  A mãe do garoto, inconformada com a situação relata que é difícil a situação para ele. “Qual a mãe q imagina ver o filho assim?”, disse a mãe de Eduardo, Joselita Batista, 45 anos.

As Doenças de Veiculação Hídrica (DVH), de acordo com o site da Tribuna Popular News, são doenças transmitidas através da água, que funciona como ‘veículo’ a levar vírus e bactérias do hospedeiro original para dentro do corpo de outra pessoa. Meningite, dengue e leptospirose são algumas doenças graves causadas pelo contato da população com a água poluída do local. “Essa situação é horrível! Esse esgoto faz muito mal. Trouxe muito surto de meningite. Minha mãe, por exemplo, está tomando remédio por causa da dengue, meu sobrinho já morreu por causa meningite e a saúde publica exigiu que tomássemos remédio” disse a moradora Leonice Santos, 39 anos. Além de doenças ocasionadas pela água poluída, a comunidade presencia livre de rato transmissores de doenças, passear livremente pelo local sem nenhum combate. A urina do rato pode causar doenças sérias ao homem e aos outros animais, uma delas é a leptospirose que é uma infecção grave que manifesta hemorragias, mau funcionamento dos rins, diminuição de urina podendo levar ao coma. “Aqui ratos de variados tamanhos passeiam por aqui tranquilamente, no meso chão que crianças pisam descalças”, conta Nalva dos Santos, 35 anos.

Embora o projeto Bahia Azul acredite que ao fazer canais de esgoto nas casas acabariam por trazer o fim desses problemas, a população critica a atuação do mesmo, solicitando a cobertura do esgoto. “Solução seria tampar tudo. Isso resolveria porque os moradores não jogariam mais lixo, evitaria doenças e o mau cheiro também”, acredita Leonice Santos, 39 anos.  

Pontes

Liomar Xavier
Descaso. Assim pode ser definido a situação dos moradores que vivem na Av. San Martins, bairro periférico de Salvador. Onde até hoje não existe saneamento básico necessário para uma moradia digna. As pontes que passam sobre o esgoto para ter acesso às casas foram feitas pelos próprios moradores. A prefeitura só construiu duas pontes que não atendem as necessidades da comunidade. Alguns moradores são obrigados a andar até um quilometro para saírem de suas casas.

Certos moradores até reconhecem que a principal causa da poluição do rio ou esgoto, que se transformou atualmente, é dos próprios moradores, que não têm uma consciência sobre os como se proceder em relação à coleta de lixo. Nalva dos Santos, 35 moradora do bairro há mais de 32, diz: “Varias pessoas já caíram aqui. algumas pontes foram construídas pela prefeitura em época de eleição outras foram feitas por nós”. A solução apontada por alguns membros da comunidade seria tapa todo o esgoto com isso acabando com as pontes que existem e diminuindo também a queda de pessoas dentro de esgoto que terminam adquirindo doenças tais como Meniguite, Leptospirose e Dengue, dentre outras enfermidades que sempre aparece em alguém da comunidade.

Para alguns moradores, o projeto Bahia Azul trouxe alguns benefícios. “O Bahia Azul, tá trazendo uma melhoria, colocou esgoto que não tinha”, disse o aposentado, João Souza, 65. Mas para boa parte da comunidade o principal descaso é conseqüente da falta de atuação do poder publico, para com atenção a comunidade, Leonice Santos, 39, moradora do bairro há 24 anos: “Nós fazemos o possível pra chamar atenção das autoridades, mas todo mundo sabe como o poder publico se comporta com a periferia. Eles não ligam! Nós já chamamos a Sucom”.

Quando se pretende fazer alguma obra, existe a dificuldade estrutural, “Salvador tem uma topografia extremamente acidentada e o tipo de urbanização sem planejamento levou a ocupação de córregos, vales, redes de drenagem. Sobre os córregos tem casas, sobre as redes de drenagem tem casas. Ate pra você despoluir como todo vai ser difícil”.  Diz , Roberta Henrique de Oliveira, gerente do Bahia Azul.

Só para São Tomé ver

December 18, 2007 by liusena

 Repórteres: Liomar Xavier, Jamile Freitas e Lízia Sena

 

Liomar Xavier

 As praias do Subúrbio ferroviário da capital baiana fazem parte da orla de Salvador, mas ao que parece, não têm a mesma atenção dada as praias da orla marítima, pelos órgãos do município e do estado. Apesar das péssimas condições que se encontram as barracas das praias de Piatá, Patamares e Placarfor, não se comparam nem de longe com as condições da praia de São Tomé de Paripe que nem barraca tem no local, trazendo um  desconforto aos seus freqüentadores.

As águas da praia são bem calma, própria para quem gosta de águas paradas, o fluxo de banhista não foge a regra das demais praias, onde nos fins de semana e feriados aumenta o número de freqüentadores. Falta estruturar a praia de São Tomé, não existe um sanitário qualquer no local. Leidjani Conceição, 21, comerciante, diz: “Uma das melhores. Prefiro aqui porque é mais tranqüilo que a orla. Muita coisa precisa ser melhorada aqui. Os políticos olham mais para orla porque aqui é subúrbio”, desabafa a comerciante, que não se mostra contente com a situação da praia. Outra pessoa que se diz bastante descontente com as péssimas condições da praia é, Andrea Alves, 28, moradora do bairro de Base Naval, “tá precária. Faltando muitas coisas. Não tem banheiro, água doce, chuveiro. Barracas, eu acho isso uma humilhação”. Com a falta de banheiros os banhistas são obrigados a fazer suas necessidades fisiológicas nas águas do mar.

Apesar de toda essa falta de estrutura, a praia de São Tomé e bem freqüentada não só por moradores do subúrbio que têm uma opção de lazer, próximo de suas residências, como por moradores de outras partes da cidade, como o casal, Itamar Ferreira Santos e Jussara Santana Santos, que moram no bairro de Mata Escura, e prefere freqüentar a praia de São Tomé,“eu gosto de está aqui nessa praia, pois as águas são paradas bem calma, para minha filha, Ítala Santana Santos de sete, isso é muito bom”, Jussara, também concorda com o marido” eu prefiro está aqui, do que em uma praia da orla marítima. 

Praia do subúrbio não recebe coleta de lixo adequada 

Jamile Freitas 
A praia de São Tomé de Paripe, localizada no subúrbio de Salvador, é caracterizada por possuir água limpa, sem nenhum indício de contaminação. Possui também uma maneira peculiar de manter a praia limpa, diferentemente do que ocorre na orla marítima: os próprios comerciantes resgatam os lixos nos feriados e finais de semana.

Nesse período, a coleta simplesmente não ocorre no local, e, quando isso acontece, o trabalho é realizado de maneira rápida e mal feito, como conta a comerciante Andréa Barbosa, 28 anos: “Nós barraqueiros, fazemos um mutirão, pegamos o carro de mão, recolhemos o lixo, organizamos e depois jogamos fora”.

O trabalho de coleta de lixo nas praias de Salvador ocorre diariamente pela manhã. A Empresa de Limpeza Urbana (Limpurb) recolhe 2,5 mil toneladas de lixo e mais duas mil toneladas de entulho por dia em Salvador, como conta a técnica de operações da Limpurb, Fátima Sampaio:A varrição ocorre em dias alternados, todas as segundas, quartas e sextas-feiras. A Limpurb disponibiliza também uma caixa coletora, cuja limpeza é realizada diariamente junto ao processo de coleta de lixo”. Entretanto, a comunidade argumenta que na realidade não é esse o trabalho que a empresa realmente faz: “Eles não aparecem aqui com muita freqüência. Não ligam para o subúrbio”, finaliza Andrea.

 “As comunidades carentes são dotadas de infra-estrutura precária, a malha urbana que dá acesso a essas comunidades é de difícil acesso aos veículos de coleta convencional”, disse coordenador do (Coordenação de Educação Comunitária) CEC, Roberto Muniz. Como se não bastasse a falta de coleta, as pessoas ainda se comportam de maneira mal educada, insistindo em jogar latas, copos e outros objetos na areia. “A pessoas também não têm educação, é corriqueiro encontrar algumas pessoas reclamando e jogando objetos na areia”, disse o comerciante Raimundo Ramos, 43 anos.

Apesar de toda negligência por parte das autoridades públicas e também da população, na praia ainda há um atrativo especial: “Essa praia é uma das mais desorganizadas que tem no subúrbio. A única coisa que realmente vale a pena é tomar banho”, disse o auxiliar de cozinha Jordan Silva, 23. 

Travessia

 Lízia Sena
 A travessia de barco na Ilha de S. Tomé permite a locomoção de pessoas para quatro estações: Botelho, Praia Grande, Santana e Entomoabo. Apesar da segurança e preparação dos marinheiros, muitos viajantes reclamam da estrutura. “Venho três vezes ao ano em média. Precisa de infra-estrutura, tem que melhorar as embarcações”, diz a turismóloga Ana Carla, 25 anos. Os marinheiros também concordam com os passageiros. “A estrutura tá toda à toa. Muita coisa precisa ser melhorada. De tarde os barcos chegam e fica um monte de menino caindo na ponte a ponto de acontecer um acidente. Ainda tem um homem que diz que a ponte é dele e ainda cobra 50 centavos para passar na ponte”, afirma o marinheiro máquina, Sivaldo Carvalho, 27 anos. 

É possível cruzar o mar durante toda semana. Sendo que o preço diferencia aos domingos. De segunda a sábado a travessia custa R$2 para os locais mais próximos e R$2,30 para os mais distantes. Já nos domingos e feriados o preço aumenta para R$3. Estudantes da ilha de maré fazem a travessia numa lancha providenciada pela prefeitura gratuitamente, que sai pela manhã e traz os alunos ao terminar das aulas.

O local tem em torno de 25 lanchas com capacidade até 150 pessoas. “O horário de funcionamento é das 8h as 17h30 e as lanchas saem num intervalo de 40 minutos com um tempo de 20 minutos de duração para ilha”, afirma o administrador do local, Juvenal Neto, 60 anos.

Para trabalhar como marinheiro, todos os funcionários necessitam fazer um curso de preparação concedido pela Capitania dos Portos. “Antigamente era como se fosse tirar carteira de motorista, agora é concurso publico. Faz com 1000 e poucas pessoas, pra 30 poucas vagas. Curso de uma semana. Tem que ter até o ensino médio para marinheiro auxiliar. Se ocorrer acidente estou preparado. Tem medicamento no barco, colete e tudo”, explica o marinheiro – auxiliar Leonardo Freitas, 24 anos.

 É também de responsabilidade da capitania dos portos, a fiscalização da atividade marítima.  “Sempre tem vistoria e somos capacitados, recebemos todos os detalhes necessários pra fazer a travessia. Aprendemos combate a incêndio, tudo. Em 10 e 10 anos tem que ir lá de novo. Tem que estudar até o primeiro grau para marinheiro convés, ter 18 anos acima e saber nadar. Nunca vi nenhum acidente, nem barco naufragar. É seguro a travessia. Cada um tem um barco, não é associação”, afirma o marinheiro de convés, João Carvalho, 29.

Comunidade polemiza projeto Bahia Azul

October 22, 2007 by liusena

Com objetivo de trazer benefícios a população de Salvador, região metropolitana e Recôncavo Baiano, o Bahia Azul tem seus prós e contras  

Repórteres: Jamile Freitas, Liomar Xavier e Lízia Sena 

 Liomar Xavier 

  O programa Bahia Azul representa a maior obra já realizada na Bahia em relação ao meio ambiente e saneamento básico.  Maior programa de saneamento ambiental em execução na América do Sul, o Bahia Azul vem proporcionando uma melhor qualidade de vida para a população de Salvador e cidades situadas no entorno da Baía de Todos os Santos.Com a execução da parte principal do projeto em Salvador, já há uma recuperação das áreas degradas e das condições das praias da orla da cidade. O objetivo do programa segundo afirmou Roberta Henrique de Oliveira, gerente de Manutenção de Esgoto da Embasa, “é beneficiar cerca de 2,5 milhões de pessoas que vivem em torno da bacia da Bahia de Todos os Santos. Salvador será uma das capitais melhor atendidas em relação ao tratamento do esgoto lançado no mar”.No total, serão gastos US$ 600 milhões, dos quais US$ 264 milhões financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), US$ 73 milhões pelo Banco Mundial (BIRD), US$ 78,2 milhões pelo Overseas Economic Cooperation Fund (OECF), US$ 29 milhões pela Caixa Econômica Federal (CEF), US$ 60,8 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e US$ 95 milhões pelo governo do estado da Bahia. Roberta Henrique diz que “os benefícios do Bahia Azul começam com a geração de empregos temporários, mais de 100 mil ao longo da sua execução. Também serão criados postos de trabalho permanentes a partir da revitalização econômica do Recôncavo, com seu extraordinário potencial para o turismo, com sua beleza e patrimônio cultural. Sua repercussão vai se refletir, sobretudo, na melhoria do padrão de saúde pública, reduzindo a mortalidade infantil e a ocorrência de doenças transmissíveis por veiculação hídrica, conferindo mais desenvolvimento, aliado ao bem estar social”.

No trecho que vai de São tome de Paripe até a Praia do Flamengo existem 333 pontos de esgotos que são lançados no mar e a maior parte está recebendo tratamento antes de serem lançados nas praias. “Existe lançamentos de esgotos nos rios Paraguari em Periperi, Rio das Pedras, que vai da Av. Paralela até a Boca do Rio, e o Rio Camurugipe que corta uma grande área da cidade, fazer um tratamento no rio é difícil o que estamos fazendo agora são ligações intra-domiciliar, “E encontramos algumas resistências por parte dos certos moradores”, afirma Roberta Henrique. Toda e qualquer obra de esgoto domiciliares requer presença da assistente social e grupo de mobilizadores, que fazem palestras e levam conhecimento do que seja saneamento, questão de saúde, e inclusive tentando negociação com moradores para permissão de passagem. Às vezes a rede tem que passar por dentro da casa já que a população ocupou desordenadamente o solo. Existem várias cartilhas, folders, materiais gráficos feitos a partir disso, com relação à educação ambiental.

  Esgoto sem tratamento prejudica Boca do Rio

 Lízia Sena 

A poluição do Rio das Pedras, que inicia na Paralela e deságua na praia da Boca do Rio tem sido objeto de estudo e interferência do projeto Bahia azul, que já atuou no local, instalando um esgoto de capacitação intra-domiciliar, mas, de acordo com seus moradores, não foi o suficiente para resolver o problema, apenas piorar. “Moro aqui desde que nasci. O Bahia azul só fez piorar. Antes nós usávamos para o uso doméstico e para mim a poluição só se deu com a abertura dos tanques e do esgoto”, diz o morador Carlos Alberto, 33.

O rio era limpo e servia de fonte para bebida, banho e pesca de camarões. Mas o esgoto não tratado matou os animais e prejudicou a comunidade que sofre com o mau cheiro e com as doenças conseqüentes da poluição. “Você precisa da anuência dos moradores para fazer todas as obrigações. E vai chegar um momento que não vai dar mais para fazer a parte de entrada domiciliar, vai precisar que o morador faça. Esgoto não sobe ladeira. Salvador tem uma topografia extremamente acidentada e o tipo de urbanização sem planejamento levou a ocupação de córregos, vales, redes de drenagem. Até pra você despoluir como todo vai ser difícil”, explica Roberta Henrique de Oliveira.

 Em tempos de chuva, a água entrava nas casas da boca do rio e levava os móveis da comunidade, problema que foi resolvido pelos moradores ao construírem barreiras em frente as suas residências. Na diminuição da vazão do rio é possível observar pneus, latas, sofás, colchões e até mesmo cobras. “O rio é sujo, mas a política é mais ainda”, afirma o morador José Cerqueira ao relatar que é preciso haver uma melhor atuação da prefeitura em conjunto com a conscientização da comunidade.

 

 

  Projeto abandona comunidade   

 Jamile Freitas 

Em meados dos anos 80, o Rio das Pedras chegou a ser fonte de sobrevivência para a população mais pobre da cidade. Diferentemente dessa realidade, o cenário local encontra-se com alto índice de poluição que provocou a morte dos peixes e incômodos como o mau cheiro e moscas, como conta uma das moradoras mais antigas do local, Maria de Lourdes, 59 anos: “Já vou fazer 30 anos que moro aqui e a cada dia vejo isso tudo piorar. Antes a água era limpa, nós utilizávamos a água para beber, tomar banho e pescava até camarão. Hoje eu não agüento os mosquitos e o mau cheiro”.

A comunidade local argumenta que esse quadro se deu depois que a Estação Embasa foi instalada na Boca do Rio, lançando descargas com material químico. “A Bahia Azul que disse que ia melhorar nossa vida, só fez prejudicar. Eu não tenho nada em casa, pois a onda levou tudo. Esse rio é podre! O mau cheiro, moscas e urubus aparecem direto”, finaliza Maria de Lourdes.

A Bahia Azul é um projeto que deu início a implantação do sistema de esgotamento sanitário de Salvador e das cidades de grande porte do Estado em 1995. É considerado o maior programa de saneamento ambiental em execução na América do Sul, e diz proporcionar uma melhor qualidade de vida para a população de Salvador e cidades situadas no entorno da Baía de Todos os Santos. Entretanto, não é esse trabalho que a comunidade acompanha por parte da empresa no rio das Pedras.

A Embasa foi acusada de poluir o rio com um produto químico oriundo da lavagem de tanques da Estação da Bolandeira. O processo denunciado funcionaria assim: a empresa lava os tanques da estação com um produto químico não revelado e que seria despejado no Rio das Pedras, no trecho que passa pelo bairro Boca do Rio.

Segundo Roberta Henrique de Oliveira, fazer um tratamento no rio é difícil. “O que fazemos são captações em tempos frios e uma ação de intensificação das ligações intra-domiciliares”, disse a gerente. Se o proprietário não tiver disposto a fazer a ligação a Embasa parte para alguns aspectos: ela disponibiliza o financiamento. Se o morador não quiser a embasa vai e pede pra que ele assine dizendo que se recusa. “Muitas vezes eles se recusa a assinar, então pedimos o assinatura de duas testemunhas. Este documento vai para o centro de recurso humanos ambientais para então aplicar a lei 7.307/98 e pelo decreto 7.775 todo ou qualquer imóvel construído na cidade de Salvador no logradouro de que existe rede coletora de esgotos ele é obrigado a fazer a ligação”, explicou Roberta. 

Obs: estou escrevendo menos finalmente…rsrsrsrsrs

Por uma coleta

October 8, 2007 by liusena

Comunidades carentes reivindicam uma melhor coleta de lixo 

Repórteres: Liomar Xavier e Lízia Sena

 

Liomar Xavier

A coleta de lixo nas comunidades carentes da cidade de Salvador é feita de forma precária, seja pela falta de acesso ao local ou infra-estrutura. A malha urbana que dá acesso a essas comunidades é de difícil ingresso aos veículos de coleta convencional, o que leva alguns moradores a jogarem seus lixos no quintal de suas casas ou vala de esgoto. A Limpurb desenvolve projetos em relação à coleta domiciliar, dentre os quais se pode cita, o Programa Agentes Voluntários de Coleta. Mas os moradores reclamam na verdade é da falta do caminhão para recolher o lixo.

 

A comunidade de Vila Santinha, localizada atrás das Faculdades Jorge Amado,na Av. Paralela, tem muitas dificuldades em relação à coleta de lixo. Não há nenhum tipo de coleta domiciliar ou container para recolher o lixo dos moradores, que ficam apenas com duas alternativas. Alguns descem das encostas e vão até a rua principal e colocam seus lixos, ou acabam jogando no quintal da casa onde moram, como é o caso de Maria dos Santos, 80, aposentada que mora no local há mais de 40 anos. “Eu jogo meu lixo, aqui em baixo e toco fogo, antigamente eu enterrava, mas devido à quantidade de ratos não faço mais”.

 

 Alguns moradores reconhecem que o local requer melhora estrutural, para que exista uma coleta de lixo melhor como afirma Sonia Maria da Silva, 45, lavadeira, diz “falta uma ponte, uma estrada para que possamos ter uma coleta de lixo melhor, aqui só foi descoberto depois que a Faculdade Jorge Amado chegou neste local”. O líder comunitário Gilmário da Silva Santos, 38, auxiliar de serviços gerais, corre na busca de melhoras para a comunidade, que sofre há mais de 40 anos, mais reclama da falta de participação da comunidade também, que não contribuir para ter, por exemplo, uma coleta descente “Eu consegui um container, só que boa parte dos moradores não queria levar o equipamento para frente da rua, então o lixo ficava acumulado aqui, trazendo transtorno, então decide retirar o equipamento, explica Gilmario da Silva.

 

Outra comunidade que também tem problema relacionado à coleta de lixo é a comunidade da Av. Ulisses Guimarães, localizada no fundo do DNOCS, no Centro Administrativo da Bahia, que dá acesso a Av. Gal Gosta. Os moradores jogavam o lixo na vala de esgoto que acabou ficando entupido. “A coleta de lixo nunca existiu no bairro, que também não tem infra-estrutura. “falta um carrinho para ter uma coleta de lixo melhor”, diz Adriana dos Santos 20, Já a moradora Márcia dos Santos, 24, domestica, diz, “deixamos junta uma quantidade grande de lixo para podermos levar para pista, nem correio vem aqui”, desabafa Adriana.

 

A Empresa de Limpeza Urbana (LIMPURB) foi procurada e através de Fátima Sampaio, técnica de Operações, diz “que a Limpurb tem dificuldade de prestar um serviço de qualidade devido à falta de infra-estrutura das comunidades carentes”. Foram desenvolvidos alguns projetos para tentar melhorar a coleta de lixo nessas comunidades, o mais bem sucedido desses projetos, segundo Fátima, é o Programa Agente Voluntário de Coleta (Pav), que foi concebido com o propósito de atender as áreas de difícil acesso, através de convênio com associações de bairro.

 

As comunidades atendidas com o PAV recebem ferramentas, materiais e fardamento, assim como  bônus-alimentação por cada agente, por semana. Atualmente atendemos 50 comunidades nas áreas do miolo e do subúrbio ferroviário, envolvendo um total de 324 agentes, Fátima Sampaio, sabe que a necessidade é bem maior, as comunidades de Vila Santinha e da Av. Ulisses Guimarães, segundo Fátima, não são atendidas porque são as empresas terceirizadas que fazem a coleta de lixo, por isso a Limpurb, tem dificuldades em atendê-las.

 Problemas e soluções

Lízia Sena 

Em comunidades carentes como Vila Santinha, localizada atrás das Faculdades Jorge Amado e a comunidade atrás do DNOCS, na Av. Ulisses Guimarães, o caminhão de coleta de lixo não tem acesso ao interior da comunidade, o que dificulta para os moradores depositarem o lixo com freqüência. A distância da moradia ao local do container desestimula a comunidade a levar o lixo.  “Não tem quem carregue o lixo, não tem carro de mão. Estou doente e não posso jogar lá embaixo. Deveria ter um container, mas não tem. Um cidadão fez uma caixa de lixo só para rua dele lá em cima. Tem que melhorar a rua para o caminhão poder passar aqui”, desabafa uma das fundadoras da comunidade de Vila Santinha, Maria dos Santos, 80.

 

Na Av. Ulisses Guimarães não existe container para que os moradores possam estar depositando o lixo, que é deixado em qualquer lugar, sendo acumulado em várias partes da comunidade. “A gente jogava o bolsão lá em baixo no esgoto. A LIMPURB passa voando por aqui e não pega nada. Eles acham que agente é tudo favelado. Nem sempre podemos ir lá embaixo, a nova invasão não deixa jogar na ponte. A gente precisa de um container, uma escada de concreto, uma rede de esgoto, carrinho e infra-estrutura, ia dar uma melhorada”, afirma a moradora da comunidade Av. Ulisses Guimarães, Adriana Santos.

A LIMPURB doa materiais e ajuda a solucionar este problema através do programa Agentes Voluntários de Coleta (PAV), no qual moradores da comunidade recebem treinamento e materiais como fardamento, carrinhos e um bônus alimentação por semana para fazerem o trabalho. “As comunidades carentes são dotadas de infra-estrutura precária, A malha urbana que dá acesso a essas comunidades é de difícil acesso aos veículos de coleta convencional. O programa foi concebido com o propósito de atender estas áreas de difícil acesso”, explica a técnica de operações da LIMPURB, Maria de Fátima Sampaio.

Para que a comunidade integre o projeto proposto pela LIMPURB é preciso que a associação do bairro crie convênio com o órgão. Atualmente 50 comunidades carentes nas áreas do miolo e do subúrbio ferroviário são atendidas pelo PAV, envolvendo 324 agentes. “Sabemos que a necessidade é bem maior, entretanto, como essas áreas não foram licitadas encontramos dificuldades em atendê-las através das empresas terceirizadas”, complementa Sampaio.

Além do projeto, a LIMPURB realiza campanhas nas comunidades promovendo a cultura dos 3R’s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar e conta com a Coordenação de Educação Comunitária (CEC), um setor que trabalha a conscientização das comunidades com relação ao lixo. A CEC não apenas trabalha com comunidades carentes, mas também com colégios particulares e públicos. “A função é conscientizar a população sobre os resíduos sólidos e o mal que eles trazem as pessoas”, diz o responsável  pela CEC, Roberto Muniz.

Nas comunidades não atendidas pelos programas, os moradores tentam solucionar de outras formas, como os residentes na Vila Santinha, que conseguem alguns benefícios para a comunidade, mas a desmotivação de boa parte dos moradores, não desenvolve as iniciativas.

 

As reivindicações são parecidas nestes locais e o maior problema apresentado é a falta de infra-estrutura. “Falta uma ponte, um container, uma estrada para que possamos ter uma coleta de lixo. Aqui só foi descoberto depois que chegou esta faculdade aí. Eu pensei que ia ser uma coisa e foi outra. Olhe que fizeram com o caminho que os meninos iam pra escola, um estacionamento, agora te quem dar uma volta grande. Ela só veio prejudicar nós aqui”, afirma a moradora Sônia da Silva.

Para haver instalações de contêineres públicos de acordo com Fátima Sampaio é necessário um estudo técnico para avaliar a real necessidade, uma vez que a implantações destes equipamentos em áreas inadequadas, estimulam a criação de pontos de lixo.

 

Outras soluções foram também apresentadas por Instituições como a Escola Nacional de Saúde Pública — Fiocruz e, a Faculdade de Engenharia UERJ — Rio de Janeiro e a Escola Nacional de Saúde Pública — Fiocruz — Rio de Janeiro durante estudos acerca da coleta de lixo nas comunidades carentes encontrados no site da Scielo Public Health. Dentre as idéias possíveis soluções, encontram-se uma coleta interna organizada pela associação de moradores e apoio do serviço municipal de limpeza, colocação de caçambas do tipo “Dempter” nas ruas, rampas do tipo calha para descida do lixo, veículos motorizados em menores dimensões, utilização de incineradores, deposição da matéria orgânica em biodigestores e por fim uma campanha educativa para que os moradores separem os materiais recicláveis, com objetivo de gerar um lucro à comunidade.

  

Cooperativa abandonada gera polêmica

October 5, 2007 by liusena

Criação de ostras alavanca região de Candeias

Reportagem produzida por Jamile Freitas, Liomar Xavier e Lízia Sena(Viagem: Caboto)

Jamile Freitas

 O cultivo de ostras tem se mostrado uma atividade bastante viável para o desenvolvimento sustentável de várias regiões do País. Na França, por exemplo, são produzidos mais de 90% das ostras consumidas na União Européia.

A extração de ostras no mangue é uma ação degradante, que prejudica todo o habitat natural. Não é possível retirar uma ostra por vez, mas sim cachos inteiros, com ostras de diferentes tamanhos. As muito pequenas são descartadas e as maiores vão para a comercialização. Isso sem falar nos inúmeros organismos vivos que são capturados junto com os cachos, essenciais à manutenção da vida daquele nicho, e que nunca mais voltarão ao seu meio. Elas passam por um processo chamado engorda. Esta é uma atividade intermediária entre o extrativismo e a criação, em que se retira a ostra do manguezal no tamanho mínimo permitido pela legislação e coloca-se em viveiros tipo ‘tabuleiro’, até que os organismos atinjam o tamanho comercial. Isso acontece em cinco meses. Nesta fase, para se desenvolver, as ostras utilizam apenas as cheias e as baixas da maré.

A desova das ostras é natural. O animal tem período larval de 20 dias e solta seus filhotes que “grudam” onde puderem. Alguns grudam sobre outras ostras e muitos ficam nos coletores, colocados estrategicamente para isso. Depois de 30 dias, as sementes são soltas e levadas para o berçário onde ficam por cerca de um ano e meio, sofrendo os processos de manejo constantemente para quando forem vendidas, apresentarem alta qualidade. Para estarem prontas para o consumo, é necessário esperar um ano e meio.

Na região de Caboto (Candeias), havia uma Cooperativa de ostras que sustentava 24 famílias e com ajuda da Dow Química, realizou atividades que alavancaram a economia da região. Quando estava ativada, o processo acontecia de maneira diferente. As sementes de ostras chegavam de outros locais como Maranhão e Iguape e eram manipuladas e vendidas, em seguida, pelos líderes. “Eu nunca ouvi dizer que se tratava ostra com água doce. As ostras já vinham bombardeadas de lá para cá, dentro do saco tomando sol”, diz o ex-membro da Cooperostra, José Souza.

 

Contradições do abandono da Cooperostra

Lízia Sena 

Fundada em 1999 com objetivo de gerar fonte de renda à população de Caboto, mediante  processo de cultivo de ostra, a Cooperativa dos Criadores de Ostra (Cooperostra) esta estagnada desde 2006. Tendo como principais focos o benefício de 24 famílias e a conscientização ecológica da população referente à pesca predatória, o projeto iniciado pela Dow Química não obteve lucro de acordo com seus ex – membros.

As sementes de ostras chegavam de outros locais como Maranhão e Iguape, sendo plantadas, tratas e posteriormente vendidas pelos líderes. Os moradores e ex-membros da cooperativa afirmam que a paralisação do trabalho foi devido à falta de administração. “Acabou por falta de administração. Eu achava errado aqui o tipo de tratamento dado as ostras”, diz José Souza.

Há ainda outros argumentos como o de Joselito Santos, 37, também ex-membro da cooperativa, o qual afirma que a causa do fechamento se deve à lavagem de dinheiro: “A cooperativa foi uma lavagem de dinheiro. A Dow Química injetou 300 mil reais, na época 250 mil dólares. E eles pegaram e abriram a cooperativa em outro lugar. Fundaram em Iguape, que esta funcionando com dinheiro nosso. Aí ficamos com os braços cruzados”, diz Joselito.Por ser um bairro localizado ao redor de diversas indústrias que contaminam a água com produtos químicos, há quem diga também que a Cooperativa acabou devido à contaminação das ostras, o que impediu o crescimento. “As ostras não sobreviviam. Não sei se era falta de alimentação ou contaminação. Nosso manguezal aqui é muito fraco. Não vou dizer que as águas estão poluídas porque não tenho estudos. Mas vivemos em uma bacia, onde todas as indústrias jogam detritos químicos nas águas”, afirma o ex-presidente Hamilton Souza, 67.Não apenas o presidente tem este argumento, como outra ex-membra da cooperativa. “Pegava as sementes e colocava no mar. Quando ia ver estava tudo morta. Não sei responder porque morriam.Tinha também os biólogos. Eles pegavam a água para fazer análise e nunca condenaram”, diz Maria José, 57.Dentre os poucos pescadores que sobrevivem na região, Edvaldo Santos, afirma que água nunca foi poluída e que come o peixe confiante.

Entre tantas contradições, o fato é que estudos já foram feitos pelo próprio Posto Médico de Caboto. Através da pesquisa feita pelo posto de saúde, por meio da análise de contaminação nas pessoas que comiam mais moluscos, foi comprovado que os moluscos estavam contaminados. “Existem muitas pessoas que chegam aqui no posto com problemas de intoxicação. Não atinge só aqui, mas todo o porto de Aratu. Às vezes temos que transferir estes pacientes para Candeias. Com a pesquisa descobrirmos que o molusco daqui estava contaminado por produtos químicos. Eu não como o marisco daqui”, explica a técnica de enfermagem Noelita Ramos.

 A Dow Química e a comunidade

Liomar Xavier 

A Dow Química é uma das indústrias que se instalaram nas proximidades da Bacia de Caboto, distrito de Candeias, região metropolitana de Salvador. Sua bandeira é a proteção do meio ambiente, mas por ser uma indústria causa polêmicas quanto a contaminação das águas com seus produtos. “Que ela polui o meio ambiente não tem a menor dúvida, todo mundo sabe. Agora que é obrigação dela fazer algo pela comunidade é obrigação. Se ela faz porque esta poluindo, não sou eu que vou dizer. Então a própria Dow se prontificou a montar a Cooperostra, deu suporte enquanto pode”, afirma o ex- presidente Hamilton Souza, 67.

No entanto para a Dow, proteger as pessoas e o meio ambiente faz parte das decisões que são tomadas, pela direção da empresa: “Por causa dessa questão eu sinto orgulho de trabalhar nesta empresa” fala Fernanda Fioravanti, assessora de comunicação da Dow Química. A indústria tem diversos programas que atendem à população carente de Caboto, como programas de Saúde Oral, Boa Visão, Conselho Comunidade de Matarandiba e Projeto de Cultivo de Ostras em Cativeiro.

O Programa de Saúde Oral é uma das ações sociais mais bem sucedidas da Dow. “O programa foi implantado em 1993 pela dificuldade de acesso por parte da população ao dentista”, afirma Fernanda Fioravanti. O tratamento é feito através da manutenção e prevenção de doenças bucais. Programa Boa Visão tem a finalidade de identificar problemas relacionados à visão em crianças e professores, combatendo uma das causas relacionada ao baixo desempenho escolar. O Conselho Comunitário de Matarandiba é a reunião de moradores da comunidade e representantes da Dow, e tem por objetivo em ser o canal de discursão dos anseios e percepções, relacionada com a segurança, saúde e meio ambiente.

O projeto Cultivo de Ostras em Cativeiro objetiva a alternativa de renda para população carente de Caboto. Foi iniciado em 1999, afirma Fernanda Fioravanti. O projeto beneficiou inicialmente 24 famílias e posteriormente 22, desenvolveu consciência ecológica, focando o combate a pesca predatória. Os pescadores se tornaram mais independentes e aprenderam a cuida da preservação ambiental.