Edifício Master

By liusena

O documentário “Edifício Master” apresenta uma série de entrevistas feitas por Eduardo Coutinho e sua equipe durante sete dias num edifício de Copacabana, revelando a história de pessoas comuns e suas infinitas personalidades. Entre 500 pessoas que residem no edifício, 37 foram entrevistadas, trazendo um pouco de suas histórias cotidianas, seus relacionamentos, suas tristezas, alegrias e desejos.

            Apesar das histórias serem conhecidas e até mesmo vivenciadas pelos indivíduos, a forma de presenciar cada problema e contá-lo, não são os mesmos e se tornam interessantes, trazendo uma emoção ao telespectador. Dentre essas histórias contadas, diversos problemas sociais vão sendo apontados como o desemprego, à gravidez na adolescência, a prostituição, a violência, o aborto, o suicido, os conflitos no casamento, os estereótipos “Homem não chora” e os recursos utilizados para fugir da solidão, como a música, os namoros e a escrita. Os corredores vazios e opacos são complementados pelos sofrimentos e obstáculos vivenciados por cada morador. As janelas são lembranças de alguns atos cometidos, outros não realizados devido a opção pela vida, sejam para pagar as contas ou ter a esperança de uma vida melhor.

A excelência do documentário se deve a sensibilidade do entrevistador com as pessoas, deixando-as falar, quase não intervindo. Eduardo Coutinho não aparece nas filmagens, faz suas perguntas de maneira suave, sem pressa, sem agressão, deixando os entrevistados livres para contar o que desejassem, e no tempo que quisessem. Mostra a realidade de cada individuo, sem influenciar suas opiniões ou tentar desenvolver uma história irreal, manipulando a mente dos indivíduos como muitos repórteres fazem em torno de seus interesses pessoais, revelando uma mentira em troca da fama. Coutinho tem certa preocupação com o entrevistado, não mostra nada que possa prejudicá-lo futuramente. Numa entrevista com a revista Época ele diz cortar uma cena de um menino cantando Cristina Aguilera para não parecer efeminado.

A valorização que Coutinho tem por suas fontes é de extrema importância na ética do jornalista. Coutinho não escolhe as fontes de acordo com seus interesses, ele entrevista indivíduos diversos, obtendo várias informações e pontos de vistas diferentes. Apesar de muitos passarem pelo mesmo problema, nem todos reagem de forma idêntica e é necessário ter uma visão geral das situações, por mais absurdo que um comentário possa ser, é preciso dar atenção a todas as fontes seja elas quais forem.

Lízia Sena

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