“Dinheiro não se acha em árvore, mas se encontra no lixo”
Seja transportando materiais recicláveis em carroças, nas costas ou até mesmo em carrinhos de mão, os catadores de rua seguem entre um bairro e outro em busca de seu objeto de sobrevivência: o luxo no lixo. “Meu salário é Deus lá no céu e este carrinho. Hoje quem não trabalha é preguiçoso que rouba as coisas dos outros”, diz a catadora Ana Alice, 46. É claro que dinheiro não nasce em árvore, mas através do lucro na venda do material reciclável o catador é remunerado e ainda ajuda na preservação do meio ambiente.
O trabalho é cansativo, pesado e arriscado muitas vezes, pois são poucos os catadores que usam equipamentos e roupas adequadas para a coleta. Em consequência, muitos acabam se ferindo gravemente. Outros empecilhos como a chuva e a concorrência com diversos catadores também prejudicam o exercício da atividade, mas nada disso impede o trabalho.
“Com o dinheiro que ganho compro o gás, fico devendo e ainda falta a comida”, afirma a catadora Ana Maria, 43, preocupada com o sustento de seus filhos que tentam prestar atenção na aula com fome. “Ás vezes cato tanta coisa que penso que vou ganhar dinheiro, mas no final dá apenas R$ 4,20. As garrafas plásticas vendo por R$0,10 e o quilo de cobre é mais caro, mas difícil de achar. Ainda me lembro que vendíamos o quilo de papelão por R$0,30, mas os preços estão baixando muito. Ganho cerca de R$50 durante três semanas”, complementa Ana Maria.
Além das dificuldades apresentadas, os catadores ainda sofrem com preconceitos e discriminações frequentes. “Preconceito era quase sempre. Às vezes até o próprio prefeito chegava e a gente tinha que se entocar como se fossemos carniças. Trabalhando não querem, devem achar que roubando é melhor”, diz a cooperada da Cooperativa dos Recicladores da Unidade de Canabrava (COOPERBRAVA), Domici dos Santos, 60.
Muitas crianças trabalham no mesmo ofício para ajudar na renda da família como os menores Junior Santos* e Silvio Rocha*. “A gente ajuda a família. Estudamos à tarde também”, afirmam. Para transformar esta realidade e tirar as crianças das ruas existe o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), que oferece R$40 por criança ao mês, com algumas condições. Dentre estas, os menores precisam permanecer nas escolas, se vacinarem sempre quando necessário e pararem de trabalhar. (Fonte: Peti já retirou 200 mil crianças do trabalho; www.atarde.com.br; 13/06/2006)
Apoio de Cooperativas e ONGs
Para auxiliar os catadores de material reciclável nas ruas foram criadas algumas cooperativas e ONGs que mantêm projetos para capacitar e incluir os atuais cooperados, além de tornar o trabalho mais seguro. Uma destas é a COOPERBRAVA, que surgiu quando o aterro de Canabrava foi destruído, formando-se em 21 de junho de 2003.
Antes da cooperativa ser construída, os catadores viviam numa rotina arriscada no lixão de Canabrava, além de estarem à disposição de temporais, doenças e até mesmo pessoas mortas. “Lá no lixão o dia era muito complicado, pois vivíamos dispostos a tudo. Uma lamaceira medonha. Tenho 20 anos de lixo, já estou bem carimbada. Aqui é ótimo, pois o material já vem reciclado, é só separar. Não precisa ficar disputando com urubu, nem nada. Era muito triste. Até menininho morto a gente achava”, relata a cooperada da COOPERBRAVA, Domici.
“Lá nós vivíamos debaixo de muita chuva e aqui trabalhamos na sombra, melhor. O dinheiro que eu ganhava não dava nem pra comprar alimentação direito. E era muita concorrência, lá abusavam muito, jogavam pedra. De vez em quando eu achava dinheiro voando”, acrescenta a cooperada Rosalina Maria de Jesus, 54.
Atualmente a cooperativa conta com 49 cooperados, dentre eles ex-catadores do lixão e outros catadores de rua. Além do apoio da prefeitura, que cedeu a estrutura e o caminhão, contam com doações de empresas e da Limpurb que cedem materiais, roupas, dentre outras coisas necessárias para a atividade.
Todos os cooperados passam por um processo de capacitação para melhor separem o material e de acordo com seu diretor Moisés Leão, 26, serem futuramente os auto-gestores da cooperativa.
Movimento Nacional dos catadores de materiais recicláveis
Outro incentivo dado aos catadores é o próprio movimento nacional, que já tem tido muitas conquistas importantes, como o reconhecimento da profissão, por lei, pelo atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro encontro dos catadores foi realizado em junto de 2005 na Universidade de Brasília, contando com 1400 catadores vindos de 17 estados do país. Suas reivindicações são diversas e dentre estas se encontra o reconhecimento por parte dos governos, em todos os níveis e instâncias da existência da população da rua, incluindo-a no Censo do IBGE e garantindo a lei da criação de políticas específicas de atendimento ás pessoas que vivem e trabalham nas ruas, rompendo com todos os tipos de discriminação. (Fonte: http://www.movimentodoscatadores.org.br/default.aspx)
* Nome fictício para preservar identidade dos menores
liu, como sempre mui bem!!!
trocou ovisual do blog, gostei!!!!!!
obrigada Gui!
é, prefiro este visual tbm =)
É inacreditável que alguém consiga sobreviver somente com 50 reais quase q para um mês. Sendo q esse dinheiro não é só para um pessoa, mas pelo visto, para uma família. São nessas horas q a gente deve valorizar o q tem. Acredito q o ser humano é bastante teimoso, e às vezes só aprende por experiência própria. Mas qdo se lê algo deste tipo, alguma coisa deve ficar marcada, e servir como lição de vida!!
Ótimo texto!! Adorei!
Com certeza Mari. Muitas vezes não valorizamos o que temos. Devemos dar graças a Deus por que temos o que comer, onde dormir…
Devemos estar atuando na sociedade, ajudando e tentando mudar estas pessoas que vivem murmurando tendode tudo.
Obrigada pelo elogio. bjs
oi nossa e incrivel essa istoria e alem do
mais vc e um vencedor na vida gostei e vc acabou de me
ajudar aganhar 10 e ciencias muito
obrigada
eu queria fazer mais um comentario eu posso e vc fazer e fala a todos os meus amigos sobre ese siote
fila da puuuuuuuuuu esse e um agradesimento que a minha escola faz por um ato bom
gostei muito foi de grande valor o que eu li……. pois faço MEIO AMBIENTE e reclicar e importante
Sou moradora do Bairro Ibirapuera e separo o meu lixo que pode ser reciclado desde 2001, para que os catadores de lixo possam já pegá-los separados. Mas, tenho receio que o mesmo ao invés de estar sendo aproveitado pelos catadores estejam só aumentando a quantidade de lixo nos lixões.Gostaria que me informassem onde existe nas proximidades do bairro ibirapuera quem possa vir pegar esse lixo em minha casa?Obrigada,
Sueli